O curso de Relações Internacionais da UCB promoveu nesta quinta-feira, 13 de setembro, uma mesa-redonda entre o prof. Dr. Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o diplomata Paulo Roberto de Almeida, que é diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), para debater o tema “O Mundo Pós-Ocidental: Potências Emergentes e a Nova Ordem Global”, título do livro recém-lançado pelo professor Stuenkel.
Os estudantes e professores do curso acompanharam atentos, no auditório do Bloco K, o debate em alto nível promovido pelos dois convidados. De acordo com a coordenadora do curso, prof.ª Rosana Tomazini, o debate foi para possibilitar que os estudantes pudessem ter contato com o que há de mais novo no mundo das Relações Internacionais.
“Atualmente, nas Relações Internacionais, estamos vivendo uma incerteza na relação do futuro da ordem global por alguns acontecimentos recentes notadamente pela eleição do Donald Trump, que muda a posição dos Estados Unidos de multilateralista para unilateralista, e isto dá a oportunidade para outras potências, como China, Índia e Rússia, de assumirem algum protagonismo na cena internacional. Há uma grande expectativa de saber como o sistema internacional vai se desenvolver daqui para frente por conta da ascensão de potências emergentes?”, questionou a professora Rozana.
Segundo o mediador da mesa-redonda, professor Fábio Albergaria de Queiroz, o debate tão qualificado consolida o curso de Relações Internacionais da UCB. “O Oliver traz, com esse livro, um debate muito interessante do que virá pela frente no mundo das Relações Internacionais. Para onde vamos? Quais são os elementos ontológicos que compõem o mundo em que vivemos? Então é uma reflexão mais do que bem-vinda”, disse o professor Albergaria.
Asiacentrismo
Segundo o professor Oliver Stuenkel, o mundo está cada vez mais centrado na Ásia, resultado de um deslocamento histórico de poder do Ocidente em direção ao continente que concentra mais da metade da população mundial.
“As consequências são cada vez mais visíveis na política mundial. Com a aproximação do dia em que a China ultrapassará os Estados Unidos como a maior economia mundial, o Ocidente está lentamente perdendo a notável capacidade de determinar a agenda global, algo com que estávamos tão acostumados que se tornou difícil imaginar a governança global sem a predominância ocidental. Por mais de um século, a concentração extrema de poder econômico permitiu que o Ocidente, apesar de representar uma minoria da população mundial, iniciasse, legitimasse e advogasse com eficácia as políticas globais nas áreas de economia e de segurança. Para a maioria dos observadores, atores não ocidentais raramente exerceram um papel construtivo na administração da governança global”, destacou Stuenkel.
Segundo Oliver, o futuro da ordem global, que não está mais sob controle do Ocidente, geralmente é visto como caótico, desorientador e perigoso. “Nossa visão de mundo centrada no Ocidente nos leva não apenas a subestimar o papel exercido por atores não ocidentais no passado e na política internacional contemporânea, mas também o papel construtivo que eles provavelmente terão no futuro. Com potências como a China provendo cada vez mais bens públicos globais, a ordem pós-ocidental não será necessariamente mais violenta ou instável do que a ordem global atual”, disse.
“Está muito claro, na obra do Oliver, que a China e a Ásia em geral estão muito à frente do Ocidente até praticamente meados do século XIX. Em termos de ciência, tecnologia, inovação, poderio econômico, China e Índia faziam metade do Produto Interno Bruto global e da população como fazem atualmente e estão a caminho de ser tornarem metade do mundo. Por um intervalo de tempo, perderam o bonde da história, por não terem seguido a ciência Ocidental e a revolução industrial. Foram dominados e ficaram para trás, mas hoje voltam a emergir”, detalhou o diplomata Paulo Roberto de Almeida.