Um projeto realizado pelo Núcleo de Práticas Jurídicas de Águas Claras está trazendo novas perspectivas a vítimas de violência doméstica. Por meio da Gastronomia, um grupo de mulheres está usando o brigadeiro para gerar emprego e renda, em meio a um problema social que se agrava nos últimos anos, que é a violência contra a mulher.
Explicando sobre o projeto, a professora Luli Neri Riccetto, assessora da Escola de Gestão e Negócios e ligada ao curso de Tecnologia em Gastronomia, disse que se sensibilizou com o relato do trabalho realizado com mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
“Em uma reunião de professores, o pessoal do Serviço Social e da Psicologia, apresentaram um projeto, realizado pelo Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Universidade, que atuava com mulheres em situação de vulnerabilidade. Na hora achei interessante e coloquei imediatamente o curso de Gastronomia à disposição desse projeto. Pelo pouco que eu conheço, sei que muitas mulheres que são vítimas de violência doméstica às vezes se submetem a isso por não ter o seu próprio sustento”, explicou.
“Por meio da Gastronomia oferecemos uma perspectiva para que essas mulheres pudessem reverter a sua vida. Aí surgiu a ideia de realizar uma oficina de brigadeiro, que é uma coisa simples, rápida, de baixo custo, fácil de aprender e vendável. Convidei um ex-estudante do curso, especialista no tema, para ministrar o curso e foi um sucesso”, disse a professora Luli.
Ao todo foram 24 mulheres que fizeram o curso, de uma tarde, receberam certificado e agora já começam a mostrar o seu talento. O professor do curso foi Thales Alves que ensinou técnicas de como fazer o brigadeiro, calcular o custo, os melhores ingredientes, quando a qualidade tem que se sobressair ao preço do insumo, como colocam o preço no produto, quanto podem lucrar.
“Eu recebi um presente, de uma dessas mulheres, que foi uma caixinha de brigadeiros, como agradecimento. Ela já está ganhando dinheiro vendendo esse produto. Fiquei muito emocionada em saber que ajudamos uma mulher que estava em situação de vulnerabilidade e que agora já começa a caminhar por conta própria”, disse a professora Luli Neri Riccetto.
Relato
“Conheci o NPJ após a advogada Rubia Cristina Porto me acompanhar em uma audiência de violência doméstica. Após a segunda audiência, conversei com a professora Heloísa Maria Vivo Marques, coordenadora da unidade, e contei sobre minha vontade de voltar a trabalhar, pois desde o casamento tinha largado tudo pra cuidar da casa e do meu filho. Após alguns dias, o pessoal no NPJ me perguntou se eu tinha interesse em fazer o curso de Brigadeiro Goumert, que seria ministrado na UCB e eu topei, pois vi a chance de mudar de vida fazendo o que gosto”, disse Nicolle, 32 anos.
“O curso ocorreu no mês de dezembro de 2017 e desde então tenho conseguido aproveitar bem tudo que aprendi. Hoje eu trabalho fazendo doces por encomenda, tenho melhorado bastante a vida e até mesmo ajudado na melhora da minha auto estima. Agradeço ao NPJ e a UCB pela oportunidade de adquirir esse conhecimento”, frisou Nicolle.
O NPJ
No último dia 24 de abril, a unidade de Águas Claras do Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) completou um ano de atividades. O Núcleo está situado no Fórum Desembargador Helládio Toledo Monteiro e é o primeiro NPJ Interdisciplinar do Brasil. Ele tem vinculação dos cursos de Direito, Psicologia, Serviço Social, e conta ainda com a parceria de outros cursos da Universidade, para atendimento integral às mulheres em situação de conflito doméstico e familiar.
O NPJ é o local destinado ao estudante do curso de Direito para a realização de práticas jurídicas. Auxiliados e orientados por professores e advogados, os universitários atendem de forma gratuita a comunidade do Distrito Federal, atuando desde o primeiro atendimento até as fases recursais, comparecendo a audiências e participando de tribunais do júri.
“A unidade de Águas Claras, como também a unidade de Samambaia, situada no Fórum Desembargador Raimundo Macedo, contam com atendimento multi e interdisciplinar de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, com foco no acolhimento, orientação e intervenção necessários”, explicou a coordenadora da unidade, prof.ª. Heloisa Maria.
O objetivo da Universidade, com o NPJ de Águas Claras, é inovar e trabalhar de maneira diferenciada no apoio e assistências às mulheres e a necessidade de se prestar um serviço relevante, de utilidade púbica, de extensão, ensino e pesquisa universitária, além do compromisso da Instituição com o Poder Judiciário.
“A violência contra as mulheres é uma forma de violação de direitos humanos, que atinge diferentes classes sociais, religiões, etnias e culturas, se configurando na naturalização dos estereótipos de gênero, que, consequentemente, se expressa nas relações de poder entre os sexos. São relações permeadas por desigualdades e cerceamento de direitos que possuem na violência seu instrumento de imposição e controle. Somente no Fórum de Águas Claras atendemos uma média de 22 mulheres por semana”, destacou a professora Heloisa.
A violência
“A violência contra a mulher não é um fenômeno que vai se resolver com a sentença do juiz ou somente com a acusação do Ministério Público, então temos que oferecer todo esse amparo à vítima e esse é o grande diferencial desse projeto da UCB”, disse o coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas de Taguatinga e Samambaia, prof. Gustavo Lopes de Souza destacando a atuação interdisciplinar dos Núcleos de Práticas Jurídicas da Universidade.