A Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação, em parceria com a Escola de Saúde e Medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB), realizou o “Colóquio de Intervenções Multidisciplinares no Ambiente Escolar com foco na Dislexia”, no dia 24 de novembro, no Auditório do Câmpus II. O evento contou com a participação dos cursos de Pedagogia, Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Nos dias 25 e 26 de novembro, a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) também ministrou um curso sobre a definição, os sintomas, as questões funcionais e neurobiológicas da dislexia.
A professora Carla Cristie de França Silva, coordenadora do curso de Pedagogia, acredita que, hoje, há uma grande dificuldade de os pais fazerem intervenções em relação ao TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), dislexia, dislalia e outros problemas de aprendizagem identificados em crianças. “Preparamos um momento de interlocução entre áreas multidisciplinares, como a psicologia e a educação. Esclarecemos aos estudantes e interessados como podemos contribuir para a formação e o aprendizado dessas crianças que vivem esses conceitos. Essa interlocução entre áreas é fundamental no processo de desenvolvimento, não só de cada estudante, mas da Universidade.”
A fonoaudióloga da Secretaria de Saúde do DF, Renata Monteiro Teixeira, falou sobre os sintomas da dislexia nas crianças, que são as dificuldades com os problemas fonológicos. “Minha abordagem se baseia teoricamente e cientificamente. A dislexia faz com que eles tenham dificuldade com leitura, o que ocasiona uma complicação na ortografia também”, disse.
No debate sobre o tema, a professora do curso de Psicologia, Adriane Reis, destacou que é essencial atuar de maneira multidisciplinar. “Uma área de conhecimento não consegue lidar sozinha com todos os transtornos e dificuldades da educação infantil. Não existe apenas uma causalidade que tenha a ver só com a pedagogia.”
Para a professora de Psicologia, Andreia Dias, a figura central da educação não é apenas o estudante. Durante o colóquio, ela trouxe uma contribuição da psicologia institucional no âmbito escolar com o objetivo de mostrar os recursos disponíveis para estudantes e professores. “A gestão deve ser feita com foco nos processos intersubjetivos, porque os pedagogos nas escolas estão focados na didática e na metodologia. Eles pensam esses procedimentos avaliativos e a contribuição da pedagogia passa uma dimensão mais subjetiva numa relação de ensino-aprendizagem no contexto da relação de professor-estudante.”
Segundo o professor de Pedagogia, Olimpo Ordonez Carmona, apesar de ser uma questão genética, a dislexia tem prevenção se for descoberta a tempo, por volta dos três anos de idade. “A dislexia do desenvolvimento infantil tem origem neurobiológica com a dificuldade da criança em soletrar e interpretar palavras escritas. A neurociência está voltada à aprendizagem e mostra que, se você estimula uma criança desde cedo, ela poderá ter mais conhecimento. O problema poderá ser identificado ao observar se a criança não fala da forma adequada, não pronuncia as palavras e não acompanha as músicas na escola”.
De acordo com o especialista, professor Olimpo, a dislexia identificada de forma precoce permite a criação de estratégias pedagógicas e metodológicas, para que a criança adquira uma consciência fonológica. “Na educação infantil, é possível o professor enxergar essas dificuldades na fala. São sintomas que precisam de estimulação fonológica. Se a criança utiliza a área da linguagem do cérebro para armazenar as palavras da forma certa, passa a ter consciência fonológica muito cedo. Isso vai permitir que, quando ela enfrente o processo de leitura escrita, ela terá mais facilidade”, destacou.