O convite para um debate em inglês é estendido a todos os estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB), mas, no dia 17 de fevereiro, cerca de 20 estudantes se encontraram para falar sobre “O impacto do governo dos Estados Unidos (EUA) na política global com o novo presidente Donald Trump”. A proposta é reunir periodicamente (todas as segundas e sextas-feiras) os estudantes para discutir assuntos atuais ligados ao direito internacional, ao comércio exterior e à economia e à política internacional. Os encontros têm a participação, inclusive, de professores de outros países, como EUA e China.
O mediador do debate, o professor do curso de Relações Internacionais, Wilson Almeida é pós-doutor em Relações Internacionais pela Georgetown University em Washington DC. Para ele, a ideia é criar uma espécie de observatório sobre os principais assuntos internacionais com impacto no Brasil, na América Latina e no Mundo e partilhar estas ideias com os nossos estudantes interessados.
Segundo o Prof. Wilson, é curioso o fato do líder dos EUA negar tudo que foi realizado nas últimas décadas após a Segunda Guerra Mundial. “O país se expandiu e ocupou o planeta com sete frotas militares espalhadas nos continentes e por todo o espaço marítimo, além de satélites de observação no mundo todo. Agora, causa perplexidade e curiosidade o fato de Trump sinalizar o retorno ao isolacionismo esplêndido do Século XIX com os EUA fechados em torno de seu território”, explicou.
Os estudantes, em debate, avaliaram que Trump têm o voto de americanos típicos, protestantes, brancos e de origem europeia, como alemães e ingleses. “Tudo vai depender de como o mundo reagirá porque há grandes possibilidades de conflitos externos e internos. Além disso, a pressão da oposição do resto do mundo é enorme, já que o país influenciou outros países culturalmente, politicamente e economicamente”.
O consenso entre eles é que voltar atrás numa política consolidada repercutirá no avanço da China e da Rússia sobre mercados ao redor do mundo, como o da América Latina, considerados por muito americanos como o “quintal dos EUA”. Douglas Rocha Almeida, estudante do 7º semestre do curso de Relações Internacionais na UCB, considera que as recentes decisões tomadas pelo presidente americano Donald Trump em relação a imigrantes e refugiados acentua um aspecto característico do governo dos EUA, que é a questão da xenofobia. Para ele, o governo norte-americano retornou ao histórico de isolamento presente até o século XX, quando o país se abriu para o mundo.
“Isso impacta na questão de imigrantes e refugiados, pois, em 1951, o país assinou uma Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata do Estatuto dos Refugiados, mas, a própria constituição norte-americana já continha princípios de não discriminação dos povos. Esse novo decreto de Trump, que proíbe a entrada de refugiados e imigrantes de sete países (Síria, Iraque, Irã, Líbia, Sudão, Iêmen e Somália), com o pretexto de combate ao terrorismo, é ilegal se comparado a outros instrumentos jurídicos dos EUA”.
China x Estados Unidos
A reação do mercado financeiro e da comunidade global desde a vitória de Trump revela que os Estados Unidos não querem se comprometer com uma liderança mundial. O 45º presidente dos Estados Unidos sinaliza para uma recessão geopolítica com riscos provenientes da Europa e torna a relação entre Estados Unidos e China o principal e maior risco geopolítico dos próximos anos. A China pretende abrir seus horizontes para o mercado financeiro, pois, durante a campanha presidencial, Trump culpou a China e o México pela perda de empregos no país e ameaçou aumentar as tarifas sobre os produtos dos dois países.
Política Internacional em pauta
Os estudantes de qualquer curso da UCB que desejarem participar do debate, chamado de Debating International Politics Today (DIPT) devem ser fluentes em inglês e passar por seleção de membros, com exigência de participação efetiva nos encontros. Com a abordagem de temas ligados a política internacional, o DIPT ocorre todas as segundas e sextas-feiras, às 11h30, e conta com a participação de estudantes da Universidade de Ohio (EUA), da Universidade Católica Fu Jen (Taiwan) e Universidade Nacional de Taiwan (Taiwan). Para se inscrever e tirar dúvidas, os interessados devem entrar em contato pelos e-mails
douglas5678@hotmail.com ou usstudiesprogram@gmail.com.