Três corredores de prédios coloridos chamam a atenção de quem passa pela QSB 12/13, de Taguatinga Sul. O conjunto é resultado de uma ocupação que pulsa fora do plano com diversa produção cultural e economia solidária criativa. Os
estudantes da disciplina de Estética e Cultura Midiática da Universidade Católica foram ao local, na quinta-feira, dia 19 de abril, para conhecer o projeto.
O Beco, como também é conhecido, passou por várias mudanças. Nos anos 1960, era um centro comercial movimentado, que depois foi deixado de lado. Sofreu algumas baixas com a saída de lojistas e ganhou má fama ao ser associado a ponto de drogas, violência e prostituição.
Com o passar dos anos o espaço foi sendo revitalizado com arte, cultura, educação e saúde. Ainda hoje sofre preconceito por abrigar estilo de vida alternativo, que abarca diversidades que têm como foco a vivência em comunidade. Andar por ali é esbarrar em moradores, ecolojas, teatro, música, cultura popular, grafites. Essa soma resulta num espaço coletivo de resistência.
Ocupação
Para viver as ruas é preciso sair da sala de aula. Foi dessa forma que estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da UCB puderam andar pelos corredores do beco e conversar com moradores e produtores culturais. O que uma ocupação pode ensinar a uma universidade?
O estudante do curso de Publicidade e Propaganda, Alison Monte, 26 anos, acredita que a visita ajuda a abrir novas percepções descentralizadas de cultura. “Acho que esse foi o ponto principal de chegar e ter essa concepção de que a gente não precisa ir longe, para o Plano Piloto, para entrar em contato com arte, cultura, com outras atmosferas que até então a gente não conhecia ou então pensava que era uma coisa distante da nossa realidade”, diz Alison.
Já para Mariana Araújo, 19 anos, estudante do segundo semestre de Jornalismo, a experiência mudou a sua visão sobre as próprias relações humanas. “Na minha opinião a junção da arte e da educação transforma os seres humanos”, relata.
Dinâmica
A professora da disciplina de Estética e Cultura Midiática, Florence Dravet, explica que é importante ver o conteúdo conceitual na prática, no concreto do cotidiano da cidade e que o objetivo da saída ao Mercado Sul foi mostrar que dentro de Taguatinga há uma realidade alternativa, uma outra forma de ocupar o espaço urbano”.
Segundo a docente, o modelo de ensino tradicional não funciona mais. Por isso, considera necessário apresentar formas mais dinâmica e engajada de passar o conteúdo, como criar as saídas de campo para complementar as aulas. “A gente acha que a vivência em oportunidades, como essa de sair da sala de aula e ver a realidade, é envolver os alunos naquilo que estamos tratando e também propiciar experiências que façam eles refletirem”, explica Florence.