Os alunos da Universidade Católica de Brasília (UCB), por meio do curso de Pedagogia e da Brinquedoteca Pedagógica, realizaram o projeto Jogando e Aprendendo, no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente Professor Walter José de Moura (CAIC/Areal), no Areal. A ação envolveu estudantes das disciplinas Aprendizagem em Contextos Educacionais e Formação e Prática Docente.
O objetivo dos estudantes era ministrar aulas diferenciadas, utilizando metodologias lúdicas que inovavam o potencial de aprendizagem dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, que estão passando por um processo de transformação de crianças para pré-adolescentes, fase em que novas descobertas são feitas o tempo todo, inclusive sobre profissões e domínios de atividades.
Outro fator importante é a organização dos estudantes. Durante a atividade, alunos de diversas áreas de atuação como Física, Química, Ciências Biológicas, Letras e Educação Física entraram em contato com planos de ensino que integram todas as áreas.
A organização do evento é feita de acordo com o desenvolvimento da disciplina de Brinquedoteca Pedagógica, um espaço que reúne crianças da comunidade externa, filhos de funcionários e alunos da UCB, para que os jovens coloquem em prática o que estudam nas aulas teóricas. Após cursarem as disciplinas, os alunos entram em contato com outras áreas de conhecimento da Universidade e criam um plano de ensino integrador.
Para a coordenadora do curso de Pedagogia, Carla Cristie de França Silva, a interatividade entre as áreas é fundamental para a organização dos professores dentro das salas de aula. “Às vezes, o trabalho do professor é muito solitário, e o que queremos mostrar é essa proposta de se unir e mostrar que as áreas de conhecimento não estão sozinhas. Elas possuem interface, conhecimento. A ciência é transdisciplinar. Então, encontramos como isso pode funcionar com um caráter experimental dentro e fora da sala de aula”.
Segundo Carla, os estudantes têm oportunidade de obter uma perspectiva de formação não só do conhecimento pedagógico ou da área de conhecimento deles e sim uma competência social e emocional, que são necessárias para o pedagógico.
Metodologias ativas
A professora do curso de Pedagogia e coordenadora da ação, Tatiana da Silva Portella, enfatiza a importância em ter contato com esse tipo de atividade. “Muitas vezes, esses alunos acabam indo para escolas privadas e é pedido que eles se organizem e estabeleçam projetos. Aqui é uma forma de ter uma vivência colaborativa única”.
Ela também enxerga na ação uma forma de enriquecer a formação dos estudantes de licenciatura, que nem sempre conta com disciplinas práticas e metodologias ativas. Segundo Tatiana, o projeto pode ser visto como de extensão e é benéfico para todos os profissionais e alunos. “Os alunos participantes trazem uma energia que, às vezes, professores que lecionam há 20 anos não possuem mais. Trazer essa perspectiva didático-pedagógica deixa as aulas muito mais interessantes e envolventes do que as convencionais”, acrescenta.
Para a estudante do 4º semestre do curso de Letras/Português, Alice de Sousa Rebouças, a disciplina é uma ótima forma de praticar o que foi aprendido e incentivar as crianças a buscarem formação superior.
“Já tenho experiência com sala de aula, dando aula de redação e literatura para alunos mais velhos, para ensino médio e preparação para vestibular. Então, entrar em contato com esses estudantes é muito interessante, por serem mais novos. Acho que a importância em participar de atividades como essa é a possibilidade de nos vermos como professores, atuando e conhecendo diferentes realidades. É algo surpreendente,” complementa.
Ensinar e cativar
Durante o projeto, os alunos do CAIC entraram em contato com áreas de conhecimento que nem sempre são exploradas dentro da sala de aula. Para Carla, os alunos da Universidade exercem o papel de “agentes da esperança” na vida das crianças. “Aqui os alunos podem dar exemplos de sua realidade e mostrar sua importância como estudante antes mesmo de se formarem. É uma forma que as crianças têm de perceber que podem ser como eles e se identificarem com o ensino superior”.
Além disso, o projeto também auxilia os alunos da Universidade a praticarem planos de ensino que entram em contato com alunos de faixa etária menor e assim praticam a ludicidade, muitas vezes não presente dentro de disciplinas teóricas. Além disso, a prática contida no evento é considerada pela coordenadora como uma forma de compreender a importância de ser graduado em Licenciatura e em como é o dia a dia do professor.
O aluno do 3º semestre do curso de Educação Física, Alan Henrique Lelis Pacheco, considerou a ação como um divisor de águas para seu curso. Acostumado com disciplinas teóricas ou práticas que não estimulam a didática, ele considera a ação uma ótima maneira de crescer experimentalmente e motivacional para continuar na formação como professor atuante.